10 de janeiro de 2014

llores por mi Argentina...

“Querida vieja, Buenos Aires quedo atrás. Atrás quedo también la perra vida! La facultad, los exámenes y las disertaciones soporíferas". (Che Guevara)


Terminal de Retiro. 4 malas, violino e a mochila.
Evita Perón continua na Recoleta (uma realidade, mas intacta), o subte linha B continua com atraso, a linha D sempre vai estar lotada, as empanadas tucumanas continuam sendo as melhores, a cerveja sempre será servida quente, a quilmes não é a melhor cerveja, cachorros grandes continuarão saindo de apartamentos pequenos, você nunca conseguira atravessar a 9 de Julio se não correr, passear a noite na Recoleta será sempre gostoso, Susana Trimarco continua procurando sua filha Marita Verón, a feirinha de San Telmo sempre irá te surpreender, os trens sempre vão te proporcionar novas aventuras, você sempre vai sorrir na primavera, agosto sempre será chuvoso, julho sempre será frio, Puerto Madero sempre vai sugerir um bom restaurante se você tem muito dinheiro no bolso, o restaurante Desnível no bairro San Telmo terá sempre o melhor bife de chorizo, a melhor provoleta e a melhor porção de papas fritas, as visitas guiadas da casa Rosada sempre te ensinam algo mais, o peso argentino continua desvalorizado, os arbolitos da rua Florida continuam gritando “dólar, euro, real”, você sempre vai encontrar alguém falando sozinho na rua, sempre vai ver alguém cantando e dançando ao som de uma música que tá completamente no mundo dele, você sempre vai se surpreender com os músicos que fazem “aquele” show em troca de moedas, você vai fazer bons amigos de diferentes partes do mundo, vai descobrir que todos sempre sabem de política e que qualquer pessoa sabe jogar futebol, sempre terá que estar preparado para as criticas quando se trata do Pelé (até hoje não entendi pq), depois de dois anos, você saberá que não sabe comprar todas as coisas e que sempre vai te faltar alguma palavra, vai descobrir um jeito novo de se vestir, vai descobrir que dividir uma casa com mais 15 pessoas não é tão ruim assim (você sobrevive), vai descobrir que o “acento” argentino não é o mais difícil do mundo, vai descobrir que em Rosário não tem um museu para o Che Guevara, você vai precisar ter um mapa dos museus e ir marcando qual já visitou, a avenida Corrientes sempre terá uma ótima peça de teatro, o sorvete fredoo é o melhor, vai perceber que argentino sempre fala português no diminutivo, o que resulta um inho. Você vai perceber que algumas palavras em português vão sumir, e que “cerca e lejos” parecem mais familiares, que desayuno soa melhor no seu ouvido, e que “dale” vai substituir o aham!

Você vai perceber que deixar o país Hermano é ruim, seu coração fica apertado e o mais importante você levará no coração... As ótimas recordações que ele te proporcionou!

Voltando pra casa...

Um beijo, Letícia Bohrer!
Novembro/2013.







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