“Querida
vieja, Buenos Aires quedo atrás. Atrás quedo también la perra
vida! La facultad, los exámenes y las disertaciones soporíferas". (Che Guevara)
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| Terminal de Retiro. 4 malas, violino e a mochila. |
Evita
Perón continua na Recoleta (uma realidade, mas intacta), o subte
linha B continua com atraso, a linha D sempre vai estar lotada, as
empanadas tucumanas continuam sendo as melhores, a cerveja sempre
será servida quente, a quilmes não é a melhor cerveja, cachorros
grandes continuarão saindo de apartamentos pequenos, você nunca
conseguira atravessar a 9 de Julio se não correr, passear a noite na
Recoleta será sempre gostoso, Susana Trimarco continua procurando
sua filha Marita Verón, a feirinha de San Telmo sempre irá te
surpreender, os trens sempre vão te proporcionar novas aventuras,
você sempre vai sorrir na primavera, agosto sempre será chuvoso,
julho sempre será frio, Puerto Madero sempre vai sugerir um bom
restaurante se você tem muito dinheiro no bolso, o restaurante
Desnível no bairro San Telmo terá sempre o melhor bife de chorizo,
a melhor provoleta e a melhor porção de papas fritas, as visitas
guiadas da casa Rosada sempre te ensinam algo mais, o peso argentino
continua desvalorizado, os arbolitos da rua Florida continuam
gritando “dólar, euro, real”, você sempre vai encontrar alguém
falando sozinho na rua, sempre vai ver alguém cantando e dançando
ao som de uma música que tá completamente no mundo dele, você
sempre vai se surpreender com os músicos que fazem “aquele” show
em troca de moedas, você vai fazer bons amigos de diferentes partes
do mundo, vai descobrir que todos sempre sabem de política e que
qualquer pessoa sabe jogar futebol, sempre terá que estar preparado
para as criticas quando se trata do Pelé (até hoje não entendi
pq), depois de dois anos, você saberá que não sabe comprar todas
as coisas e que sempre vai te faltar alguma palavra, vai descobrir um
jeito novo de se vestir, vai descobrir que dividir uma casa com mais
15 pessoas não é tão ruim assim (você sobrevive), vai descobrir
que o “acento” argentino não é o mais difícil do mundo, vai
descobrir que em Rosário não tem um museu para o Che Guevara, você
vai precisar ter um mapa dos museus e ir marcando qual já visitou, a
avenida Corrientes sempre terá uma ótima peça de teatro, o sorvete
fredoo é o melhor, vai perceber que argentino sempre fala português
no diminutivo, o que resulta um inho. Você vai perceber que algumas
palavras em português vão sumir, e que “cerca e lejos” parecem
mais familiares, que desayuno soa melhor no seu ouvido, e que “dale”
vai substituir o aham!
Você
vai perceber que deixar o país Hermano é ruim, seu coração fica
apertado e o mais importante você levará no coração... As ótimas
recordações que ele te proporcionou!
Voltando
pra casa...
Um
beijo, Letícia Bohrer!
Novembro/2013.

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