| Feira de San Telmo |
Resolvi escrever depois que percebi que estava perdendo tempo. Sim, estou perdendo tempo. Deu para ver e viver tanta coisa quando morei na Argentina que parece que se passaram alguns anos (de fato, dois anos). Em março de 2012, quando desembarquei no país hermano, um lugar desconhecido, sem ao menos conhecer alguém, percebi que estava dando o primeiro passo de muitos. “Mi Buenos Aires querido”. Tem dias que dava vontade de dar outro adjetivo para o querido, usar o antônimo na verdade, pela saudade do Brasil. Mas isso dá e passa! Bola pra frente! Buenos Aires é encantadora!
Aprender o espanhol, dançar tango, conhecer museus, fazer amigos de diferentes nacionalidades, receber seus amigos ou familiares e sentir o quanto você já sabe da língua local e o quão você está envolvido com a cidade. Posso falar para você que eu gosto muito de Buenos Aires! Eu poderia ficar dias escrevendo sobre a cidade porteña, mas decidi explicar aos poucos como "se virar" na capital argentina.
Desembarquei em Buenos Aires sem conhecer a cidade, só escutava que era super movimentada e que estava acordada 24 horas! Eu, meu irmão, Romualdo Bohrer, com mais um amigo, Júnior Amorim (ou carinhosamente chamado por todos de Veneno), embarcamos no aeroporto de Porto Alegre em 29/02/2012 (fevereiro com 29 dias). Chegamos no dia 01 de março e nos deslumbramos com a arquitetura, com o idioma e com a beleza do lugar. Mas onde dormir? Tínhamos feito uma reserva pelo hostel world graças a uma grande amiga, Helena Ioschpe, que já viajou pra caramba e tirou da nossa cabeça a ideia maluca de dormir no aeroporto por 3 dias! Viajamos pela companhia uruguaia Pluna, que agora infelizmente está fechada. Infelizmente porque os voos eram super baratos, para eu e o meu irmãos viajarmos, pagamos na época R$ 500,00.
Hotel Sol era o nosso destino! E agora, quem fala com o taxista? Meu irmão era o mais expert no espanhol e passou o endereço, lembro do nome dele até hoje, o Diego. Um magrelo falante com os dentes feios (espero que ele nunca leia esse post).Lembro porque quando chegamos na frente do Hostel no bairro San Telmo, ele olhou para a nossa cara e disse: "que mierda es esa?". Ai... Tudo culpa minha! O Veneno e o Gordo (apelido do meu irmão) me olharam com uma cara de "quero te matar". Mas já estávamos ali, o jeito era entrar e fazer o check in.
Adivinha quem nos atendeu? Um carioca gente fina! O Rafael, ou o Rafa, logo nos avisou que o quarto que tínhamos reservado não tinha mais vaga. Era um quarto super barato para 8 pessoas! Rendeu então ficar em um quarto coletivo de 6 pessoas. Entramos e logo veio a dúvida do meu irmão e do Veneno em ficar em um quarto coletivo com uma mulher: no caso, eu! Tinham dois homens no quarto e isso não me deixava segura, na visão deles! Eu na verdade só queria tomar um banho e dormir! Bom, nesse quarto estavam o Luiz e o Robson. O Robson eu vi apenas na temporada do hostel e o Luiz eu tenho contato até hoje! Meu namorado! Viu como minha amiga estava certa? Eu deveria ter ido para aquele hostel (risos)!
Ficamos em um quarto sozinhos, durante 1 semana, mas a grana começou a apertar. Eram $75,00 (pesos argentinos) a diária, por pessoa, e confesso que eu e o Gordo tínhamos mais ou menos para um mês e para os dois, mais ou menos R$ 1000,00. Pouco? MUITO! Para dois irmãos sim, muito pouco! Para resolver este problema cozinhávamos no hostel e poupávamos muita grana! Estava caro, precisávamos tomar uma providencia! E urgente!
Mas nem tudo era estresse, nos divertimos muito! Como nenhum de nós falávamos inglês e espanhol, o jeito era improvisar! Tem horas que Tu tem que fazer uma mistura de idiomas para que as pessoas de entendam. Por exemplo: Yo estoy muy fat (Yo estoy muy-espanõl, e fat-inglês). Ter que conversar com um inglês pelo Google translation é uma coisa interessante? Com certeza. Ligamos o computador, e ficamos digitando para saber o que o outro quer, isso faz com que Tu pratique e aprenda. Coloquei o inglês como exemplo, mas isso vale para todos os idiomas. Na época que ficamos no hostel, tinham russos, ingleses, dinamarqueses, mexicanos, brasileiros, canadenses, franceses, alemães... Todos “arranham” o espanhol, então nos viramos e tentamos conversar da forma que dava, e isso muitas vezes resulta em mímica. Acaba por ser engraçado.
O Gordo é frequentemente confundido com chileno, e a Yesenia (uma mexicana louca que até hoje é minha amiga) achou que eu era francesa, pela pele branca e cabelos pretos (ooooo, até parece). O Junior (Veneno) ficou conhecido por todas como “Veneno”, e o Gordo por Gordo.
Parte de uma carta que escrevi para a minha família na época:
"Estamos fazendo almoço e janta todos os dias, assim se torna tudo mais barato. Bom, nem muito barato. O custo de vida aqui é altíssimo, é como se fossemos viver no Brasil, e ainda assim tem coisas no Brasil que é muito mais barato. O Miojo (macarrão instantâneo) no Brasil custa R$ 0,50. Aqui em Buenos Aires, custa $ 5,00, isso convertendo a moeda, o Miojo vai custar em média R$2,50. Se formos comer fora todos os dias vai sair muito caro. O nosso cozinheiro oficial é o Gordo. Sorte nossa!"
No hostel é assim, acostume-se ou vá embora! Eu acostumei! No início foi estranho ver a quantidade de maconha que eles consomem, e isso com o dono do hostel vendo! Reclamar do cheiro? Pra quem? A marihuana (nome em espanhol para maconha) é normal quando você está viajando e sua parada é um hostel. Compartilhar quarto com homens e mulheres, banheiro coletivo, café da manhã que termina rápido (se quer comer bem acorde cedo) são algumas características de um hostel. Eu gostei! Eu indico! Se você acha que vai ter problemas, então uma dica: vá para um hotel!
| Letícia, Adriana, Romualdo e Júnior. Antes de embarcar encontramos nossa prima para comer o famoso cachorro do Rosário em Porto Alegre. |
| Eu e o Gordo (meu irmão). |
| No aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre - RS. |
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