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| Voando de São Paulo para Frankfurt |
Meu namorado, o Luiz, ganhou uma bolsa de estudos para estudar em Mainz, na Alemanha. Obvio que ele aceitou e veio. Ele chegou em setembro de 2013, e eu no final de novembro. Eu estava morando na Argentina terminando meu mestrado em Jornalismo Investigativo. Quando sai do país hermano eu estava levando 4 malas, meu violino e uma mochila de viagens. É uma longa história, mas eu posso resumir...
Eu morei 2 anos na Argentina. Primeiro em uma casa de estudantes (depois conto como era viver nessa casa) com mais 15 pessoas. Depois eu e o Luiz alugamos um apartamento que era super bem localizado, bem arejado e com um espaço bom. A palavra bom funcionou somente para o inverno. No verão o apartamento ficou tomado por baratas e isso virou motivo de brincadeira para nós dois. Brincávamos que quando chegássemos em casa elas estariam sentadas no sofá com uma cerveja aberta curtindo um futebol! Realidade ou não, elas estavam lá e tivemos que mudar! Através de um site encontramos um apartamento muito legal, bonitinho e mobiliado que ficava no bairro Palermo. Minha primeira pergunta para a dona do apartamento? "¿no hay cucaracha?". Ela me olhou com aquela cara de quem deve ter se perguntado: "¡Que chica más loca! ¿Porque le gusta las cucarachas?". Acho que eu estava com trauma. (risos).
Quando estava perto do Luiz embarcar para a Alemanha, fomos morar em uma casa de estudantes no bairro Abasto. Uma casa com mais de 50 pessoas, quartos individuais, compartilhados, banheiros e cozinhas privados ou não, e silenciosa! Muito silenciosa! Ficamos juntos em um quarto individual por 1 mês e 10 dias... Até que ele embarcou...
Fiquei sozinha em Buenos Aires durante 2 meses. Minhas amigas do mestrado, Jennifer (Equador) e Carmen (Colômbia) também moravam nessa mesma casa no andar superior. Mudei para o quarto delas. Voltei para o Brasil em novembro mas com as malas pronta para embarcar para a Alemanha.
Descobri depois de muita dor que meu braço estava quebrado, devido a uma queda de outubro de 2013 quando eu cai de bicicleta indo trabalhar em Buenos Aires (sim, eu ia e voltava todos os dias de bicicleta. 12 km por dia). Eu não sabia, mas tinha que engessar. Depois de sair do hospital e arrancar o gesso na madrugada (eu não aguentei o incomodo) do mesmo dia, voltei no outro dia para engessar novamente. Resultado: "Provavelmente você terá problemas para entrar na Alemanha, porque o gesso é branco e muito pesado. Sua entrada no país pode ser barrada por pensarem que é droga". Mais ou menos as palavras da senhora que eu conversei da companhia aérea. Arranquei mais uma vez o gesso! Tudo pela Alemanha! Sai de Lages, cidade onde mora minha família no dia 24/11. Cheguei em São Paulo 3 dias antes de embarcar, com o braço quebrado e duas malas gigantes! Minha irmã me recebeu na casa dela e de lá eu fui para o aeroporto.
No aeroporto de Guarulhos a funcionária da empresa aérea ficou preocupada com o tamanho das minhas malas. Disse que possivelmente eu pagaria excesso de peso. Como eu tenho uma mãe super preocupada, ela me ajudou a montar as malas e resolvemos que pesar em uma farmácia seria uma solução. Uma com 32kg e a outra com 23 kg. A informação que eu tinha era de que só poderia levar duas bagagens de 23kg. Eu pagaria o excesso, mas não precisou! Começamos poupando dinheiro!
Fiquei durante 1 hora na sala de embarque. Não comprei nada para comer, nem para tomar, eu queria esperar a comida e a bebida do avião. Economia é economia. Mas a fome bateu e não liberavam a nossa entrada. As 23 horas começamos a embarcar e eu esqueci da fome, eu queria chegar na Alemanha.
Poltrona do meio! Do meu lado (corredor) um senhor, um alemão, que me disse que seu nome era "el viajante". Ele falava espanhol, não me senti tão perdida. Na janela uma alemã, a Eva. Simpática, me ensinou algumas palavras em alemão. O espanhol dela era tão ruim que eu tinha que mentir que entendia o que ela falava. Mas nos comunicamos e demos boas risadas durante o trajeto.
Ai... veio a janta! Que delicia! Pensei: "Comida de avião, minha preferida". A aeromoça perguntou se eu queria refrigerante, cerveja, água... Pensei novamente: "Que se lasque o regime". Respondi: "Me dá dois copos de refri. Um de coca-cola e outro de guaraná". Amo o refrigerante do avião... Economia é economia!
O pior estava por vir! Um senhor judeu acordou no meio da noite procurando o banheiro. Não sei o que passou na cabeça dele mas eu só percebi quando começou a gritaria. Ele agarrou a porta do avião e foi tentar abrir achando que era a do banheiro. Pensei: "Eu não vou morrer feliz, eu ainda não cheguei na Alemanha".
Eu estou aprendendo a falar inglês, então não daria para me defender na entrada do país. Desembarquei em Frankfurt depois de 12hs de voo. Eu tinha no meu celular, uma carta escrita em inglês pelo Luiz, dizendo onde eu iria ficar, cartão de crédito, o que ele fazia e todas aquelas informações que você precisa saber quando entra na Europa. A mulher da imigração não falava espanhol, muito menos português... Lá estava a Letícia mais tonta que a barata do apartamento de Buenos Aires e com a carta de apresentação. Fui encaminhada para uma segunda pessoa que falava espanhol. Sorte! Apresentei a carta, falei que estava como turista e respondi todas as perguntas. Passaporte carimbado! Eu entrei na Alemanha.
Não acabou ai, eu precisava retirar as duas malas. Como carregar com o braço quebrado? Perguntei para uma moça do aeroporto se ela falava espanhol, sorte minha que sim. Paguei 5 euros e peguei um carrinho, aqueles de aeroporto. Esse dinheiro eles devolvem no momento em que você devolve o carrinho. Um senhor muito solicito me ajudou com as malas. Alemão que fala português? Comecei bem, deve ser fácil! Coisa nenhuma...
Depois de algum tempo sem ver o Luiz, eu tinha ensaiado uma chegada triunfal! Cabelos sedosos, maquiagem, perfume, aquela corrida até os braços dele. Nada disso! Um rabo de cavalo, suada por causa das malas pesadas, 20 horas sem banho e sem escovar os dentes e empurrando um carrinho que eu desaparecia atrás dele. Foi engraçado! Pensei... Ele me ama! hahahahaha.


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